sábado, 7 de julho de 2018

Arte à Mesa 2018 Adamastor by Nuno Freire

Arte à Mesa 2018 

"Restaurante Nacional" Coimbra


Exposição coletiva de pintura a decorrer até ao dia 27 de agosto/2018

com apresentação da tela:

 "ADAMASTOR BY NUNO FREIRE"









                  












 




sábado, 30 de junho de 2018

Mundial Rússia 2018 Especial Quaresma








Quaresma marcou no passado dia 25 de junho o golo que abriu as portas a Portugal para oitavos de final no Mundial da Rússia 2018, num jogo emocionante e arrepiante de nervos.

Estreou-se a marcar com uma magnifica trivela pela equipa das "quinas"





sexta-feira, 29 de junho de 2018

Afonso Mendes de Noronha "Ministério do Tempo"




“A máquina do tempo não existe. 
O que existe são as portas do tempo!” 

Série televisiva da RTP

"MINISTÉRIO DO TEMPO"

Personagem:
Afonso Mendes de Noronha

"Afonso Mendes de Noronha (João Craveiro), 43 anos, é um homem duro. Habituado a guerras e batalhas… do século XVI. Depois de ser vitima de uma terrível intriga na corte, o rei D. João III condena-o à morte.  Horas antes da sua execução, Afonso recebe uma proposta do Ministério do Tempo. Poderá viver, desde que se mude para o século XXI e nunca mais contacte a sua mulher.  É ele quem vai salvar a patrulha, e muitos dos heróis da nossa história, em momentos de maiores dificuldades."

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Adamastor by Nuno Freire



O Gigante Adamastor
texto em prosa
João de Barros

“(…)

Navegamos cada vez mais por diante, vencendo sempre com boa cara os perigos incessantes que surgiam.
Mas, cinco dias depois da aventura de Veloso, numa noite em que sopravam ventos prósperos, estando nós de vigia, uma nuvem imensa, que os ares escurecia, apareceu de súbito sobre as nossas cabeças.

Tão temerosa e carregada vinha que os nossos valentes corações se encheram de pavor!

O Mar bramia ao longe, como se batesse nalgum distante rochedo. Tudo infundia pavor. E nunca na nossa viagem tínhamos encontrado nuvem tão espessa e tão assustadora. Todas as tempestades pareciam vir dentro dela, para de lá saírem e nos assaltarem.

Erguendo a voz ao Céu, supliquei piedade a Deus.
Mal acabava de rezar ─ e logo uma figura surgiu no ar, robusta, fortíssima, gigantesca, de rosto pálido e zangado, de barba suja, de olhos encovados, e numa atitude feroz.

Os cabelos eram crespos e cheios de terra. A boca era negra. Os dentes amarelos.

Tão grandes eram os seus membros, que julguei ver um segundo colosso de Rodes, esse colosso que era uma das sete maravilhas do Mundo, de tal maneira alto que, diz-se, por baixo das suas pernas passavam à vontade enorme navios!...

Num tom de voz grossa, como a voz do mar profundo, começou a falar-nos.
Arrepiámo-nos todos, só de ouvir e de ver tão monstruosa criatura.

Disse então o Gigante, voltando-se para nós:

─ Ó Gente ousada mais de que nenhuma outra, que nunca descansais de lutas e combates, já que não temeis ultrapassar os limites onde ninguém mais chegou, e navegar por mares que me pertencem; já que vindes devassar os meus segredos escondidos, que nenhum humano deveria conhecer ─ ouvi agora os danos que prevejo para vós, para a vossa raça, que subjugará no entanto todo o largo Mar e a imensa Terra.

Ficai sabendo que todas as naus que fizerem esta viagem encontrarão ─ castigo merecido do seu atrevimento sem par! ─ as maiores dificuldades nestes meus domínios. E sofrerão o horror de tormentas desmedidas.

Punirei de tal modo a primeira armada que vier aqui depois da vossa frota, que os seus tripulantes mal sentirão talvez o perigo de me defrontarem. Mas hão de chorar depois do dano que eu lhes fizer…

Hei de me vingar de quem primeiro me descobriu, do vosso Bartolomeu Dias, fazendo-o naufragar aqui mesmo.
E outras vinganças imprevistas executarei…

D. Francisco de Almeida deixará aqui a sua glória e os troféus que arrancar aos Turcos. Manuel Sepúlveda verá aqui morrer os filhos queridos, verá aqui sofrer mil ferimentos a sua mulher, que os negros cafres hão de torturar e matar.

E tantos, tantos mais dos vossos, hão de experimentar a fúria do meu ódio pela audácia de me inquietarem, perturbando a solidão em que vivo e quero viver…

Era tão assustador o que me dizia o monstro horrendo, que eu o interrompi, perguntando-lhe quem ele era, e porque estava assim tão zangado.

Retorcendo a boca e os olhos, e lançando um espantoso brado, respondeu-me em voz pesada e amarga, como quem se aborrecera da pergunta feita:

─ Eu sou aquele oculto e grande Cabo, a quem vós tendes chamado Tormentório, e que ninguém, a não ser vós, Portugueses, algum dia conheceu e descobriu.

Sou um rude filho da Terra, e meu nome é Adamastor.
Andei na luta contra o meu Deus, contra Júpiter, e, depois, fiz-me capitão do mar e conquistei as ondas do Oceano.

E então me apaixonei por Tétis, princesa do mar e filha de Neptuno.

Ai de mim!... Sou tão feio, tão horrível, que ela nem me podia olhar!

Determinei conquistá-la à força e mandei-lhe participar esta minha intenção.

Tétis fingiu aceitar o meu pedido de casamento…
E julguei certa noite vê-la e supus que vinha visitar-me e combinar as nossas bodas.

Deslumbrado, corri como um doido para ela e comecei a abraçá-la.
Mas nem sei de tristeza como conte o que me sucedeu…

Julgando abraçar quem amava, achei-me de repente abraçado a um duro monte, coberto de mato bravio e espesso. Tétis transformara-se em rocha feia e fria!

Vendo um penedo a tocar a minha fronte, em lugar do roto angélico de Tétis, penedo me tornei também, de desespero.
Em penedos se me fizeram os ossos, a carne em terra inculta, e estes membros e esta figura que te horroriza estenderam-se pelo mar fora.

Enfim, a minha grandíssima estatura converteu-se neste remoto Cabo.

E, para redobrar as minhas mágoas, Tétis anda-me sempre cercando, transformada em onda.

E, como as ondas, que ora estão junto da praia, ora dela fogem para o mar alto, assim faz a princesa do Oceano: ─ ora está perto, ora longe de mim, nunca se deixando prender, nunca ficando tranquila entre os meus braços de pedra…

Assim contou a sua história o Gigante Adamastor… E logo de seguida a nuvem negra, que nos escondia o céu, desfez-se ─ e o Mar bramiu ao longe, muito ao longe…

De novo rezei a Deus, pedindo-lhe que nos guardasse dos perigos que o Adamastor anunciara.

Quando a manhã rompia, é que avistamos e torneamos o Cabo em que se tinha convertido o grande gigante. 

(…)”

In Os Lusíadas de Luís de Camões contados às crianças e lembrados ao povo,

adaptação em prosa de João de Barros

domingo, 27 de maio de 2018

Gótico



Gótico 
de Fernando Guerreiro

É sempre com um sentimento confuso que se cruzam as ruas que nos conduzem ao sepulcro. Então o que mais impressiona é a viscosidade dos pavimentos onde continua a crescer uma forma literária de musgo. 
Extinto o horizonte, sobre tudo cai. 
Indolente. 
Um panejamento de  penumbra. 
Que lança-o a procurar a solução dos segredos na humidade
túmulos – ou partir para o Norte. Para ai se confundir com um “maistrom” de bruma! 

Sobre o lago um corvo envolve com as asas o pescoço do cisne de que jorra o sangue que lava o poente de tanta brancura.
“Conhece o branco, mas concentra-te no negro."
Segrega o vulto que o vento arranca do fundo em mausoléu da ruína. 
Haverá algum salão no meio de tanta violência, onde ainda se fala de literatura? Aceitará a natureza ser cortejada por palavras que contrariam os seus desígnios. No entanto, as verdadeiras migrações passam-se sempre na mente – em corredores por onde os homens arrastam redes em que conservam – fragmentado e erudito –
o fantasma do mundo.



terça-feira, 1 de maio de 2018

Felizmente há luar Porset



Pintura a óleo - Felizmente há luar Porset





"Matilde
(Com amizade)
- Ele ainda está vivo, António. Não devia ter vindo
de luto. Olhe: vesti a minha saia verde. Vê?

Sousa Falcão
- Não estou de luto por ele, Matilde, mas a noite passada não
pude dormir. Passei a noite a pensar, e, de madrugada, percebi que não sou quem julgava ser...

Matilde
- o melhor dos amigos, António.

Sousa Falcão
- Nem isso sou! Só é digno de ser amigo de alguém quem de
si próprio é amigo, Matilde, e eu odeio-me com toda a força que me resta.

Fosse eu digno da ideia que de mim mesmo tinha, e estava lá em baixo, em São Julião da Barra, ao lado de Gomes Freire, esperando a morte...

Quando os justos estão presos, só os injustos podem ficar fora das cadeias e eu, Matilde, vendi-me para estar, agora, aqui, a vê-lo morrer.

As ideias de Gomes Freire são também as minhas, mas ele vai ser
enforcado - e eu não.

Os motivos que os governadores tiveram para prendê-lo, também os tiveram para me prenderem a mim, mas a ele prenderam-no - e a mim não.

Faltou-me sempre coragem para estar na primeira linha...

Durante estes meses, duas vezes dei comigo à berma de lhe chamar louco, para desculpar a minha própria cobardia.

Há homens que obrigam todos os outros homens a reverem-se por
dentro...

É por mim que estou de luto, Matilde!

Por mim..."

Luís Sttau Monteiro
Felizmente há Luar




sábado, 7 de abril de 2018

Origens


Origens
Menção Honrosa - Nuno Freire



Origens


Ilustração Contemporânea Portuguesa 

1º Menção Honrosa – Nuno Freire
Cidade: Figueira da Foz

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Concurso de Ilustração Portuguesa com o tema "Origens”! – fevereiro/março


...


"Para nós este concurso era um tema desafiante no qual estávamos super curiosos para saber que propostas iriam surgir dos nossos participantes! A chegada de ideias foi super diversificada, com estilos estilísticos e interpretações bastante originais!

É então que destacamos o trabalho da vencedora Cheila Mendes, não só pela sua qualidade gráfica, mas também pela ambiência que a própria ilustração envolve, que deu origem a um universo e uma história nas nossas cabeças.

Ainda, felicitações a todos os outros vencedores, Diana Silva e Filipe Diogo, e à menção honrosa de

Nuno Freire, 
pelas suas ilustrações de traço único e individual, bem como a sua qualidade gráfica e ideia.

...

Parabéns a todos pelas belas ilustrações! Aos vencedores, merecem a referência e divulgação do vosso trabalho pela Ilustração Contemporânea Portuguesa! Mostraram o vosso talento e destacaram-se!"